HEARTH

CAE PORTALEGRE
04 DE MAIO | GA | 21H30

Um instrumento harmónico e três melódicos: à partida dir-se-ia estarmos perante um vulgar grupo de música de câmara, mas assim não acontece. O piano é tão solístico quanto os sopros e estes partilham entre si e com o instrumento de tecla os trabalhos rítmicos e de bruitage que são chamados a intervir. Para além disso, este quarteto com dois saxofones, trompete e o já referido piano é constituído por mulheres, o que tem um significado óbvio quando a normalidade do jazz e da música improvisada vai para a exclusividade ou para a predominância masculina das formações musicais. Nesta improvisação de câmara feminina há ainda mais algumas particularidades: as quatro criadoras reunidas provêm de quatro muito diferentes países, designadamente Eslovénia, Argentina, Dinamarca e Portugal, e os seus respetivos estudos e percursos variam com igual amplitude. É, aliás, esta diversidade que explica as constantes mutações da música que as Hearth (neologismo proveniente da junção das palavras Earth – Terra – e  Heart – Coração) nos propõem, indo das mais serenas e enevoadas paisagens evocativas a intempestivos mergulhos na lava de um vulcão, numa titilação do nosso sistema nervoso que não deixa também de nos convocar a mente – e mais a mente que sonha, que narra filmes dentro do nosso imaginário, do que aquela que regula os sons pela matemática.

Originária de Ljubljana, mas com a sua formação académica completada no Conservatório de Amesterdão, Kaja Draksler estudou ao pormenor as estruturas improvisacionais de Cecil Taylor e teve como mestres nas suas passagens por Nova Iorque os pianistas Jason Moran e Vijay Iyer. A sua música vive na intersecção do jazz e da música erudita com o cancioneiro popular da Eslovénia.

Natural de Chubut, na Argentina, Ada Rave começou a sua atividade no circuito do jazz de Buenos Aires, enquanto estudava no Conservatório Manuel de Falla, mas optou pela Holanda para procurar melhores oportunidades de carreira. A sua associação a algumas das mais importantes figuras do jazz e da livre-improvisação de Amesterdão projetou-a para a ribalta, até vingar por mérito próprio.

Cidadã dinamarquesa radicada em Trondheim, na Noruega, cidade onde completou os seus estudos, Mette Rasmussen é o tipo de músico que dificilmente conseguimos categorizar, indo do jazz à experimentação sonora com passagens pelo rock. Conhecida pelos agudos extremos que consegue tirar do saxofone alto, a forma como controla o seu fraseio em golfadas celebrizaram-na entre os músicos da nova geração.

Nascida no Porto, mas hoje a viver em Estocolmo, Susana Santos Silva é um caso à parte em termos de sucesso internacional de um músico português. Com formação superior feita entre Portugal e a Holanda, a sua emergência nacional depressa se tornou planetária, surgindo em numerosos projetos ao lado de algumas das mais reputadas figuras do jazz e da música improvisada, entre consagrados e novos valores em afirmação.

Kaja Draksler: Piano
Ada Rave: Saxofone Tenor
Mette Rasmussen: Saxofone Alto
Susana Santos Silva: Trompete

Entrada 10€ (concerto duplo) | Passe festival 20€ | M/6 anos

Heart Portalegre Jazz Fest

Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre
Praça da República, 39 – 7300-109 Portalegre
Telefone: 245 307 498
Mail: caepatendimento@gmail.com

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